Era uma vez um ensaio, o qual deu MUITA dor de cabeça aos alunos de Literatura Inglesa da Unioeste.
Lembro que só de pensar nele, tinha vontade de chorar, mas aí chega o dia que tu gruda a bunda na cadeira e digita... digita... pesquisa... lê... relê... apaga... aí sai aquele trabalho que você tem vergonha de entregar pra professora e tenta não imaginar a cara dela lendo o que você se matou pra escrever. A parte boa, é quando você acha que tá uma bosta, mas quando ela te entrega, você simplesmente tira 10,0 e ainda te sugere publicá-lo em alguma revista :D (como eu não achei nenhuma, publico no bRog, mesmo ^^)
Enfim... é um ensaio sobre o conto "A very old man with enormous wings" de Gabriel García Márquez em paralelo com trechos do livro "A Metamorfose" de Franz Kafka.
~PAUSA~ Você deve estar se perguntando porque o ensaio é sobre um autor colombiano se a disciplina era Literatura Inglesa? Pois eu perguntei o mesmo para a senhora Nelza Mara, e como a maioria das suas respostas, eu não entendi nada o.O
Boa leitura ;)
O comum entre os estranhos
Muito se lê sobre as personagens criadas pelo escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez em que este, mistura realidade e fantasia fazendo com que esse caráter rompa com toda a “lei natural”, por consequência de sua imaginação fértil. Busca-se então, pesquisar e estudar o personagem principal que percorre pelos campos do “realismo mágico” e o “realismo fantástico” dentro do conto A very old man with enormous wings, o qual toda a história gira em torno do “homem” que caí do céu e possui asas de anjos e é encontrado pelo personagem Pelayo perto de sua casa. Tomado como exemplo o personagem do homem velho em paralelo com o protagonista de A Metamorfose, ele carrega toda carga fantástica característica desse autor, e que já foi denominado por ele mesmo como absurdo.
O surreal já se mostra presente no início do conto, em que o homem velho aparece de forma “misteriosa” na costa da praia onde é encontrado depois por Pelayo. Este, ao se aproximar daquele corpo caído, percebe que se trata de um homem que possui asas, este fato o leva a pensar que seria um anjo caído do céu. No decorrer dos dias, o tal “anjo”, como era chamado pelas pessoas da vila, falava uma língua estranha que até foi considerada como a língua dos anjos, não comia, e cada vez mais se comunicava menos, causando estranhamento por parte das pessoas. Com o objetivo de ganhar dinheiro, o casal cobrava as pessoas para que o homem pudesse realizar milagres, acontecimento que foi frustrado, já que todas as tentativas foram equivocadas.
Ao ler o conto por uma única vez, e sem uma leitura cuidadosa, podemos pensar que aquele homem deveria mesmo ser um anjo, pois possuía asas, e que ser humano terrestre tem asas? Não conhecemos anjo de formas humanas, mas que são anjos por terem asas para voar? Porém, em todo o conto o autor parece tratar esse personagem “irreal” com naturalidade, pois “o interesse de mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum” é uma das principais características do realismo fantástico. Como também pontua Selma C. Rodrigues no artigo de Menalton Braff:
O fantástico de García Márquez é “naturalizado” porque os fatos não são questionados. “No texto de García Márquez não há explicação: os atores se encontram integrados num universo de ficção total onde o verossímil se assimila ao inverossímil numa completa coerência narrativa, criando o que se poderia chamar de uma verossimilhança interna” (BRAFF, 2010).
Essa maneira de escrever sobre coisas fantásticas, irreais, ou até mesmo como ele mesmo já as considerou como absurdas, deveu-se em grande parte ao livro A Metamorfose de Franz Kafka, lido em sua adolescência e quando se deparou com a frase que abre o livro “Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco insecto” (KAFKA, 1988) García Márquez se questionou, então, se ele poderia criar situações e personagens impossíveis como a daquele livro. Fortemente encantado com aquele autor que criava essas personagens fantásticas e que “não seguia uma narrativa reta e desdobrava-se fora de um espaço tradicionalmente já demarcado” ele disse certa vez que as palavras de Kafka teriam sido ecos de sua avó que lhe contava histórias de coisas “terrivelmente selvagens” com muita naturalidade.
O personagem de Gabriel García Márquez tem em comum com Gregor Samsa de Franz Kafka a questão da linguagem, pois o primeiro não fala uma língua entendida pelos humanos e o segundo após ter se metamorfoseado em um inseto, passa a não se comunicar mais na linguagem humana. Ambos despertam no leitor o interesse de entender, de desvendar o que acontece com essas personagens, que muitas vezes passam o sentimento de aversão por serem tão surreais e esquisitas. É nesse ponto que voltamos à citação de Braff de que “no texto de García Márquez não há explicação” o texto acaba e deixa o leitor sem respostas para suas perguntas, inquieto. Em nenhum momento Samsa se pergunta o motivo daquela transformação, o que não é explicado também para o leitor; no conto de Márquez, também deixa claro que ser era aquele, com corpo de humano, com asas e que falava uma língua que não se entendia.
Segundo João de Melo, o segredo desse “realismo fantástico” foi a descoberta de uma prática simples e, no entanto, deslumbrada, que se referia aos grandes temas sociais, “envolvendo as realidades descritas numa auréola de sonhos, crenças e rituais lendários que bem podem estar na origem de uma nova mitologia literária." Partindo desse ponto, pode-se dizer que Kafka usa a história de Gregor Samsa para denunciar o pesado capitalismo da sua época, em que a sociedade se afundava. O personagem trabalhava incessantemente para sustentar sua família e, depois da sua transformação, passou a ser um imprestável, inútil, alternando os papéis.
A história do “homem” com asas pode ser entendida como uma denúncia às pessoas que discriminam ou maltratam os mais fracos, dependentes e diferentes. Há no conto, momentos de crueldade por parte de Elisenda e Pelayo quando o deixam no galinheiro sozinho, sem comida, e proíbem o filho de se aproximar do local. Como já dito anteriormente, eles chegaram a usar o “homem” para ganhar dinheiro. Há uma certa ironia, pois quando Pelayo vê pela primeira vez o homem caído, sua família estava passando por dificuldades, a casa estava infestada de caranguejos e seu filho estava gravemente doente. Até então, tratam o “homem” como um “anjo”, afim de que ele pudesse curar o menino da doença. Após também terem ganhado dinheiro suficiente para construir uma casa nova, às custas do ser estranho. Quando este não servia mais para nada, foi deixado de lado, abandonado no galinheiro.
Quando o médico examina o homem da aldeia, ele percebe como, naturalmente, as asas se encaixam com o resto do seu corpo. Na verdade, o médico ainda se pergunta por que todo mundo não tem asas também, ou seja, o velho é natural e sobrenatural ao mesmo tempo, tem as asas de um ser celestial, mas possui todas as fragilidades de uma criatura terrena.
O estilo de García Márquez é notado já no início do conto, que começa com “The world had been sad since Tuesday”, misturando o comum e o fantástico, incluindo os enxames de caranguejos e a areia lodosa que parece “luz em pó”.
Todos esses aspectos intrigantes que despertam no leitor uma curiosidade que não é saciada, permanecem sem respostas, como cita Hübner “O importante, afinal, não é nem a interpretação em si nem a crítica, mas simplesmente o fato de que não se é o mesmo após a leitura do conto”.
Referências Bibliográficas
A METAMORFOSE Franz Kafka. Disponível em: <http://surrealismodoacaso.wordpress.com/2006/09/16/a-metamorfose-franz-kafka/>Acesso: 17 nov 2010.
A VERY Old Man With Enormous Wings: A Tale For Children Gabriel García Márquez. Disponível em: <http://salvoblue.homestead.com/wings.html>
GABRIEL García Márquez. Disponível em: <http://www.oarquivo.com.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=520:gabriel-garcia-marquez&catid=78:internacionais&Itemid=43> Acesso em: 17 nov 2010.
HUBNER, Beatriz. Franz Kafka A Metamorfose: Possíveis Leituras. Disponível em: <http://www.filologia.org.br/iiijnlflp/textos_completos/pdf/Franz%20kafka,%20a%20metamorfose%20%E2%80%93%20poss%C3%ADveis%20leituras%20%20BEATRIZ.pdf> Acesso em: 17 nov 2010.
KAFKA, Franz. A Metamorfose. 8ª ed. Tradução Agostinho da Silva, Biblioteca de ouro da Literatura Universal, São Paulo, 1988.
REALISMO Mágico.Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Realismom%C3%A
1gico> Acesso em: 17 nov 2010.
1gico> Acesso em: 17 nov 2010.
Me encanta Márquez*-*
ResponderExcluirMereceu o 10, hein... Acho que realmente deveria publicá-lo em revista ;)
olha fiquei com mt pregui de ler..
ResponderExcluirMas, só lembro do resumo que eu escrevi para você.. frente, verso, frente, verso e seilá mais qntos versos!! hahaha Foi o 1º resumo que eu encontrei na net! e você tirou uma boa nota ainda!
hhahahahaha me deve umas hein!
oihuaihaoiha :*