domingo, 26 de agosto de 2012

"Eu sei, mas não devia"

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. (...) 

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado.(...)

A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.(...)

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.(...)

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. (...)
 
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. (...)

A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma."


Quando você já está acostumada a tudo. A saber o fim das coisas, o fim do dia, o fim do fim de semana e quando uma boa noite de sono é o seu único privilégio.
No momendo em que li essa crônica, preparando aula do ensino médio, foi como ler um texto que eu deveria escrever.
Já me acostumei, mesmo sabendo que não devia. Mesmo sabendo que ainda dá tempo de fazer alguma coisa pra mudar, pra recuperar algo que está perdido. Mas, não... tudo me consome, o tempo, a preocupação, as obrigações e não vou deixar de lado também, a preguiça. E o medo. Óbvio. A incerteza, insegurança.
Era tão decidida. E isso me fez descobrir que meu maior defeito era ter certeza de tudo, e depois mudar de opinião.

domingo, 19 de agosto de 2012

domingo, mas que domingo

Mais um domingo!
Mais um domingo chato, de angústia, seco, atolada de coisas pra fazer, nenhuma ligação, na verdade uma, mas sem finalidades produtivas.
Acordar, arrumar a casa, não almoçar, preparar aulas, preparar provas, preparar aulas do outro colégio, tentar ver filme, mas né, alugam minha sala e consequentemente minha TV pelo resto domingo, cato o notebook, parto pra cama delícia da mãããe, me entupo de bolachas, Fidel sente o cheiro, pula na cama com a mãããe, você quer ir caminhar sozinha pra ouvir suas músicas preferidas, mas ahh, nem tenho roupa, sobrou dinheiro não pra comprar aquela camisa do Beto Bruno, porque paguei contas demais, ih, cabou domingo.

fim.